O Alvares é um covarde.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Alvares trabalha comigo, há quatro anos.

Prestativo, pontual, responsável. Assim definem-no os chefes.

Jovem, bonito, engraçado. Assim definem-no as colegas.

Ele tem quase tudo para ser um conquistador.
Mas ele não é. 

Não é pois lhe falta confiança. Alvares não tem o  molejo necessário para desviar das armadilhas que as mulheres  preparam na primeira abordagem.

Pois, veja: A mulher é como aquele amigo que chega na sua casa na hora da janta.

Você oferece aquele pedaço maravilhoso da pizza 4 queijos com bordas em cheddar, mas ele recusa.
Diz que só vai aceitar a Coca-Cola.
Mas acreditem, ele está faminto.
Ele pede a Coca só para engolir junto toda a água que lhe juntou à boca.

Mas se ele quer, porque nega?
Porque é cultural. É educado. 
Mas não é justo.

Resta ao dono da casa insistir. 
Porque, quando não se concorda com a opinião, ninguém a defende por muito tempo.
Logo, o visitante deixa o escudo cultural "nao-jante-na-casa-do-amigo" no costado da mesa, e se satisfaz com um maravilhoso pedaço de pizza.
Termina feliz, e esquece toda aquela cerimônia inicial.

Pois com as mulheres, é a mesma coisa.

Você chega nelas, e elas dizem não.
É óbvio. É impensado. O primeiro não é cultural.

É assim que os covardes perdem.

Perdem por não administrar o golpe.
Perdem por não conhecerem os sinais delas.

Não percebem que aquele olhar babante e pidão, igual ao do amigo da pizza, não corresponde as palavras secas e retas que lhe saem da boca, em meio a um sorriso: - aaaaiii, não. Pára! Pára. 

E o sorriso dela é como o copo de coca do amigo.
É um sinal de que, se insistir, logo ela sai de trás do escudo também.

Mas esse é o problema do Alvares. Ele não vê os sinais.

Hoje, por exemplo, foi a terceira vez que eu pedi a Coca.

Mas ele sempre me serve um copo e liga aquela TV.


Quanto mais eu sinto o cheiro da pizza, mais eu tenho certeza:
Esse Alvares é um covarde. Não deve pegar ninguém.

Não atenda o celular

sexta-feira, 22 de julho de 2011
Lembrei, na hora, daquela frase que ecoou pelo salão vermelho do IESA,  na reunião de estágio dos primeiros formandos de Biomedicina: "- Nunca, em hipótese alguma, usem os seus respectivos celulares dentro do laboratório. Lidamos com vidas e não podemos nos abrir a distrações."

Mas ninguém ligou muito para o aviso, pois desde o Ensino Médio, todos aqueles integrantes da geração Y já ouviam essa frase. 
No outro dia, com a barriga borbulhando, todos iniciamos o estágio curricular em Análises Clinicas.
Eramos divididos em grupos, e em setores de análises. A cada 15 dias ocorria a rotação, os grupos se ambientavam no seu novo setor e tocavam em frente aquele harmonioso laboratório-escola.

Mas eu confessarei. 
Estava tenso na véspera de uma troca de setores: Sairia da parte da coleta, onde lidávamos diretamente com as pessoas para ir ao setor que sempre gerou frenesi em quem me perguntava o que era a Biomedicina: 
- Urgh! Então quer dizer que você é quem analisa as fezes que levamos naqueles potinhos brancos?  
-Sim. Respondia, quase que me arrependendo da profissão que havia escolhido.

Mal dormi naquela noite com medo de ter pesadelos.
Seria a primeira vez que eu ficaria trancado em uma sala durante quatro horas seguidas trabalhando apenas com aquele tipo de amostra.
Mas sabia que era parte do meu trabalho, então, decidido a acreditar que me acostumaria, eu fui.

Os dias foram passando e, de fato, eu estava conseguindo lidar bem com aquilo.
Lembro que estava na bancada, preparando uma análise, quando meu bolso vibrou: Era o celular.
Disfarcei, dei uma olhada para os lados e só vi meu microscópio, o famoso potinho branco abarrotado, um copo cônico cheio até a boca de amostra diluída, laminas de vidro e, o vazio.
A professora não estava, e os colegas aproveitaram para se escafeder dali. Mas eu concentrado nem tinha percebido. Só notei que estava sozinho quando meu celular tocou.

Como não tinha ninguém ali, pensei que atender o celular seria, de longe, o menor dos crimes, visto que os outros sumiram todos. Tirei as luvas, peguei o celular e abri.
Não conhecia o numero, mas atendi:
- Alô!
Uma voz feminina sussurrante que gritava volúpia disse:
- Eu quero você, todinho. Agora!!!!
Arrepiei dos pés a cabeça. Não consegui pensar em nada a não ser:
- Hã?
A voz (que se transformou em uma loira de olhos verdes com 1,70m na minha cabeça) repetiu:
- É isso mesmo! Eu quero você. JÁ!!!!!!!
- Adivinha o que que eu estou vestindo agora! Provocou ela.

- Nada? Respondi obviamente, não sabendo bem o que dizer e tentando ganhar um tempo pra pensar no que fazer.

- Isso mesmo. Nada, nadinha, nadica de nada. E está tão frio, preciso de alguém pra me esquentar. Sai da sua casa e vem pra cá, agora! Gostoso!

- Mas eu...Mas eu não...

- Vem, AGORA.

A voz loira de olhos verdes com 1,70m de pura volúpia tinha dado o ultimato: Ela não estava para brincadeiras. Uma mulher que fala o que ela falou nunca está para brincadeiras. 
Essa era a minha chance. Era ir e desfrutar, ou titubear e.....e....e nada. Não havia segunda opção. Eu não ficaria nesse laboratório nem que me pagassem.  Eu ia! Ahhh se eu ia. 

- Estou saindo do laboratório agora. Me espera ai, do jeito que está. Disse isso e saltei com a cadeira para trás. Tão rápido que nem senti minha coxa bater na bancada.

- Laboratório? Como assim? Não é o Diego?
- Não. É o Bernardo! - Disse, grilando os olhos.

- Tuh, Tuh,Tuh,Tuh,Tuh,Tuh,Tuh! Eu ouvi isso, enquanto assistia aquele copo cônico dançando desengonçadamente por sobre a bancada, a 40cm de mim.

Quando tentei levar a mão desnuda, já era tarde.

- Tecccc!

Não havia outra palavra à pensar.
Não havia mais liquido nenhum dentro do copo.

E não houve, no IESA inteiro, quem não ouviu o meu suplício:

- MEEEEEEEEEEEEERDAAAAAAAAAAAA! 


A bunda da Cláudia Leitte

sexta-feira, 15 de julho de 2011
Ontem, olhando a final do Ídolos,  lembrei de uma história.

Eu conheço um cara que pegou na bunda da Cláudia Leitte.
É sério.

Na volta às aulas, no intervalo da aula de Metodologia Cientifica aplicada a Ciência ,ele chamou o piazedo pro cantinho e disse: - Gurizada, eu tenho uma coisa pra contar pra vocês.

Eu tremi. Confesso.
Só consegui pensar em uma coisa. : Ele vai dizer que é gay.
Não sei porque pensei isso. Talvez porque ele tenha a letra bonita, se vista bem, tenha um C3 e não tome chimarrão.
Ou porque é isso que todo homem pensa quando outro homem diz essa frase. Sei lá.
Mas sei que a gurizada compartilhou da mesma opinião, porque na hora se entreolharam e subiram as sobrancelhas, na típica expressão do - aí vem.
Então, o suspeito sentou e sorriu, como sorriem os que detêm um segredo, e disse: - Eu passei a mão na bunda da Cláudia Leitte.
- Hãn?
- Eu passei a mão na bunda da Cláudia Leitte. Na bunda mesmo. Da Claudinha. 

Antes que alguém perguntasse algo, ele cruzou as pernas daquele jeito que a mãe da gente cruza enquanto faz tricô e ficou balançando aquele pézinho 39 ( mais um motivo para minha suspeita inicial) e começou: 
"- Que bunda, amigos. E que sorte que dei. Nessas férias, minha tia, que é podre de rica, me convidou pra fazer um cruzeiro pelo nordeste junto com a família dela. Eu topei na hora, apesar de ter medo daquele balanço do mar.
Lá pela sexta noite, quando atracamos em Porto-Seguro, aconteceu o main-event da viagem. E adivinhem de quem era o show? De quem? De quem? Da Claudinha."

Aquilo começou a me irritar. Só porque aquele cara tinha passado a mão na bunda da Cláudia Leitte não significava que ele podia chamar ela de Claudinha.
Arrrrgh. Só eu podia chamar a Claudia Leitte de Claudinha.

Mas voltemos a história do cara que tinha medo do balanço do mar (hmmmm): 
"- Os shows de cruzeiros são muito intimistas, nem parecia que ela era uma super-estrela. Passava pela frente do palco, que tinha mais ou menos um metro de altura, e pegava na mão dos fãs, assim, toda pomposinha.
Mas sempre que ela ia para o canto direito, que era onde eu estava, eu não alcançava.
Tentei umas três vezes. Então eu pensei: Que graça tem dar a mão à ela? 
Eu vou é passar a mão na bunda.
Fui mais pra frente e fiquei, alí, na espreita.
A hora que ela viesse pro meu lado eu iria depositar meus cinco dedos naquele pedaço de carne macio, empinado e desnudo.
E ia apertar, pra ela poder sentir.
Cantou mais umas duas musicas, e veio vindo. Cantava um pouco, dançava, e vinha.
Minha cabeça já nem ouvia nada, só media a distância. E media, e media.
Então, depois de um giro por sobre a sua roliça e apetitosa perna direita, ela se aproximou. 
Eu nem pensei duas vezes, me atirei pra frente e peguei. 
Com força. 
Com vontade. 
Com orgulho.
Com um sorriso no rosto, amigos, eu senti a bunda da Cláudia Leitte em minhas mãos.
Ela disfarçou, me fuzilou com os olhos mas se foi, cantando, saltitante, toda plim-plim."

Emudecemos.
Trocamos olhares, rimos, e saimos.

Nunca, ninguém mais tocou no assunto.
Preferimos deixar a glória dele esquecida, porque era difícil para nós admitirmos que invejávamos isso justamente do purpurinado.

Pois veja só:

1. Mesmo que fosse mentira: invejávamos não ter sido o inventor da história.
2. E se fosse verdade...
Bem, se fosse verdade, até o caro leitor estaria com inveja.
Não é?

Aconteceu no Banditt Pub.

quarta-feira, 6 de julho de 2011
Existe vantagem em tudo. Até em não beber na festa.
Depois dessa cara de desconfiado e a contração do lábio inferior que muitos devem ter feito, eu explico:
Esses dias fui em uma balada num pub são-luizense legitimo. Aqueles que inflam o ego do mais chinelão que entra por aquelas portas de vidro.
Tudo muito bem, tudo muito bom, eis que, lá pelas três da manhã, eu vi uma cena que me salvou a noite:

Vinham andando um baixinho feio e uma morena linda de mãos dadas, pelo meio do salão.
O pequeno cavaleiro tomou a frente, como que um batedor da policia que garante o caminho a ser feito pelo Papa, ou Presidente, ou outra coisa qualquer.
Vinha ele: Peito estufado, mão esquerda a frente, empurrando os que lhe atravancavam o caminho; mão direita atrás, segurando a morena de lábios carnudos, bochechas rasas, olhos cor de mel, enfiada em um vestidinho branco que lhe marcavam a silhueta dos glúteos.
Demais, demais.

O baixinho ia abrindo um corredor e a morena vinha logo atrás. Andaram cerca de 7 metros e, então, o pequeno cavalheiro deparou-se com um amigo dos bons. Não conheço-os, mas julgo ser, pois ele o abraçou com o braço esquerdo e ofereceu-lhe um gole de sua Heineken.
O cara ficou parado, mas na mesma posição que vinha, de costas para a mulher.
Eis que do ponto cego dele surge um terceiro personagem, que eu não sei bem de onde saiu, e se deposita ao lado da morena.
O baixinho conversando com o amigo, e atrás dele a namorada sendo galanteada por um Ricardão inconsequente.

Dediquei minha atenção ao momento, pois achei que ia ser engraçado ver o toco que o Ricardão ia tomar, ou, na melhor das hipóteses, observar uma troca de sopapos. Mas não!

Eis que acontece o inesperado: O Ricardão se aproxima da morena, deposita sua mão direita na nuca da menina e tasca-lhe um beijo.
Mas um beijo.
E ela correspondeu, amigos. Com muita habilidade, pois nem mexeu, sequer, a mão que estava estendida logo a frente, presa na do seu namorado.
Eu não sei quanto durou o beijo, fiquei extasiado.

Então o Ricardão some, do mesmo jeito que apareceu.
O amigo do pequeno pônei se vai, e o casal segue, lindo, leve e solto o seu desfile truculento pelo salão.

Essa é a vantagem de não beber em festas. Se vê cada coisa.
Com certeza, se tivesse bebido naquela noite, não lembraria. E a morena infiel permaneceria no anonimato.

Mas repito: EU VI, MORENA.

EU VI.

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