Grão de café torrado.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Ela sumiu feito um grão de café torrado caído em água quente.
Tchac. Bum!

E aquela gente tão incolor que se aglomerou na pista foi ganhando um ar curioso, provocante.
Vi a silhueta dela sendo diluída por pessoas iguais e precisei me aproximar pra não perdê-la.

Mas lá se foi o grão, rodando, sumindo, e colorindo.

Sai traçando seus passos num caminho fácil de cor e cheiro por entre aquelas pessoas feitas d'agua, que por serem água, não tinham cor, nem cheiro.

O seu rastro era de um amarelo queimado, tão longo quanto seus cabelos. O traçado era reverberante e ziguezagueava pelo salão.
As pessoas sem cor começaram a refletir aquele preto dos seus cachos  no olhar.
Para lá e para cá, tremia o salão.
Para cá e para lá, ia eu atrás.

As pessoas foram acumulando os olhares e eu não me incomodei com aquilo.

Quando notei já eramos todos iguais.

Meros homens que tiveram a mesma reação ao ver uma linda mulher passar.

Ela entrou no salão e animou a festa toda, tal qual esses grãos de café torrado que pintam minha água quente.

Logo entendi porque as mulheres nos chamam de previsíveis.
É sempre assim.

Com o café e com as mulheres.


















A ruiva e o Celso Roth

segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Duas coisas que homens de verdade gostam: Mulher e Futebol.

Há quem não concorde, por não gostar de futebol.
Há quem inverta a ordem depois do casamento.
E também há aqueles que não gostam de mulher e jogam no Atlético-MG.
Toc na madeira, para os três.

Mas no domingo, vendo o jogo do Grêmio, eu entendi que essas duas coisas tem mais à ver do que a gente imagina.

Noite antes, encontrei na festa aquela ruiva.
Aquela linda - pois não há ruiva feia, que sempre passava por mim doutro lado da rua e me atirava aquele sorriso sapeca, cheio de nhe-nhe-nhem, piscando aqueles olhos azuis e franzindo a bochecha toda pintadinha.
Seu andar era elegante e fluído, tal qual aquele que temos dentro da casa da nossa mãe.
Ela era confiante, ela era audaciosa.

E ela sorria pra mim.

Eu, que sempre retribuía o sorriso, erguia a cabeça e ia feliz, até em casa.
Sempre imaginando como seria o nome daquele enigma divino.

E digo enigma porque até hoje ninguém conseguiu me explicar porque não existe ruiva feia.
E nem ruiva gorda.
Acho que no primeiro sinal de descaso de uma ruiva com o peso, Deus, Oh! Poderoso, atira-lhe um raio de luz, lhe pinta o cabelo de loiro e envia um anjo durante o sono para recolher todas as sardas e guardar em um saquinho.
Não sei bem, mas desconfio que seja assim.

Pois bem.
Sábado eu dei de cara com ela.
Quando levantei da minha cadeira e ia em direção ao garçom, ela surgiu na minha frente.
Com o sorriso de sempre, e os olhos mais estonteantes que já vi, ela então disse: - Oi! 
Eu, meio sobressaltado com aquela surpresa retribuí o oi.
Mas dei muita bandeira. Já estava meio alto, fui pego despreparado.
Agi por impulso, sem medir a situação e disse:
- Por favor. Preciso saber o teu nome. Quando passo por ti na rua, voltando do trabalho, faço toda a minha caminhada com você na cabeça. Tentando imaginar o seu nome, Seus gostos, e, por céus, os seus defeitos.

Eu sei. Não preciso de advertência.
Admito que errei.
Parti pra fase dois sem antes analisar a expressão dela e saber se era aquilo que ela esperava ouvir de mim.
Mas vocês também devem admitir que o que eu falei foi bonito.
E ela também achou bonito, pois corou as bochechas.
Só que dai veio o golpe:
- De apé até a sua casa? Então você não tem carro?

O Grêmio andava assim.
Jogava bem. Surpreendia o adversário.
Mas não vencia.

É como Celso Roth sempre diz: - Volante, se não ajuda, ao menos não atrapalha!

Talvez seja verdade. Talvez não.

Mas sábado, foi.
Domingo, também.

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